Análise: Mario Kart Tour é o jogo mobile que os fãs da Nintendo sonhavam - BetaQuest

Análise: Mario Kart Tour é o jogo mobile que os fãs da Nintendo sonhavam


Meus amigos, a Nintendo sabe como criar expectativa em seus fãs. Foi isso que a empresa fez ao anunciar seu mais novo jogo mobile, Mario Kart Tour. O histórico da japonesa nos games para celulares e tablets não é dos mais animadores, vide Super Mario Run. Mesmo assim, ainda era possível acreditar que viria algo bom.

Nossa experiência com o jogo começou bem cedo — leia-se 4h da manhã, enquanto nos preparávamos para uma viagem. Já baixamos o jogo assim que ele foi liberado no Google Play. O primeiro susto já chegou cedo também: uma mensagem de sobrecarga no servidor. Seria a maldição do lançamento de Pokémon GO?

A queda no servidor, porém, não demorou muito para ser resolvida no nosso caso, e conseguimos logar alguns minutos depois. O game nada mais é que a mecânica tradicional de Mario Kart convertida para telas sensíveis ao toque.

O carro permanece em eterna aceleração e as curvas são feitas ao deslizar o dedo para os lados. Itens de caixas podem ser jogados para frente e para trás também deslizando o dedo. Em um primeiro momento, essa jogabilidade parece confusa. Com o tempo e uma frequência maior de jogo, o cérebro e o dedo já acostumam com o modo de pilotagem.


O jogo é dividido em diversas copas, cada uma com três corridas e um desafio final. As corridas valem até cinco estrelas e o desafio até três. Essas estrelas são usadas para liberar as copas seguintes. Cada pista junta oito jogadores em um esquema parecido com os drivatars da série Forza — o modo multiplayer online ainda não está disponível.

Cada um dos personagens, carros e planadores do jogo terá um desempenho melhor em determinadas pistas. Eles ficam divididos entre pontos normais, multiplicador 1.5x e multiplicador 2x. Além disso, eles possuem seus próprios níveis de pontuação, podendo ser evoluídos. Os pontos de seleção do personagem, acrobacias realizadas, posição ao fim da prova e cilindradas são somados para equivaler à pontuação final trocada por estrelas.

O game possui três cilindradas — ou modos de dificuldade — disponíveis gratuitamente. São elas 50cc, 100cc e 150cc. Quanto mais avançada a dificuldade, mais pontos o jogador ganha. Além dessas, há o modo 200cc, disponível para os assinantes do Passe de Ouro. Falaremos mais sobre a assinatura em breve.

Para conquistar novos pilotos, carros ou planadores, o jogador pode usar as moedas coletadas durante as corridas — sim, aqui elas finalmente ganharam uma utilidade além de nos fazer passar raiva — para comprá-los na loja ou usar os rubis — conquistados a partir de desafios ou prêmios — para lançar a sorte nos canos e ganhar um item.


Não há limitações de vezes em que o jogador pode disputar determinadas corridas. Porém, há um limite máximo diário de evoluções nos equipamentos e personagens, além de um limite diário de 300 moedas coletadas nas pistas. Além disso, algumas copas mais avançadas ainda não estão disponíveis, o que força o jogador a esperar — ou assinar o Passe de Ouro para conseguir bilhetes.

O Passe de Ouro é o sistema de assinatura mensal de Mario Kart Tour, forma encontrada pela Nintendo para incentivar os jogadores a gastar seus salários com o jogo. Ele oferece dezenas de benefícios, como as 200cc, além de prêmios exclusivos nas caixas bônus, novos desafios de ouro valendo estrelas e rubis extras e insígnias disponíveis apenas para assinantes.

A assinatura sai pelo preço de R$ 19,90 mensais. Para convencer os jogadores a testarem os benefícios, a Nintendo disponibilizou duas semanas gratuitas de Passe de Ouro, com a possibilidade de cancelar a assinatura antes do primeiro pagamento, sem perder os itens desbloqueados até então.

Apesar de a ideia de pagar uma assinatura não pareça interessante, diversos outros jogos também possuem sistemas de rentabilização semelhantes, principalmente os mobile free-to-play. Quem não sentir interesse em possuir o Passe de Ouro, porém, não terá problemas em jogar gratuitamente.

Como comentei acima, o modo multiplayer online ainda não está disponível. Para contornar isso, o game te coloca para disputar as provas contra pilotos reais, mas não logados na rede. A seleção funciona no mesmo estilo dos drivatars da série Forza — versões digitais que simulam a pilotagem do jogador. Esse modo de disputa é bom para conexões ruins, já que não exige uma internet constante e sem falhas. Considerando a média de conexão no Brasil, isso é uma vantagem e tanto.

Atualmente, o rankeamento de jogadores é feito pelas ligas. A liga é uma copa selecionada, em que os pontos conquistados nas corridas são somados e determinam sua posição. Cada posição no ranking promove o jogador para uma nova liga mais avançada. Esse modo não empolgou muito. Ele é válido apenas para uma copa e dura  por uma semana inteira. Depois de um dia, tentar avançar cada vez mais se torna cansativo. Além disso, a liga envolve apenas 20 jogadores, não sendo um ranking global de fato.


Os gráficos de Mario Kart Run seguem a linha que já se esperava. Por ser um jogo mobile, não esperávamos receber gráficos em 4K com Ray Tracing. Eles devem ser capazes de reproduzir em qualquer smartphone, sem perdas significativas de qualidade ou desempenho. Mesmo assim, os gráficos não deixam a desejar, sendo até mais bonitos do que imaginávamos.

O desempenho do jogo é muito bem balanceado. Não sofremos em momento algum com travamentos ou perda de velocidade no processamento. No máximo, apenas algumas quedas de framerate esporádicas e rápidas.

Mario Kart Tour não é o game com atributos para receber um prêmio de jogo do ano, é verdade. Por mais que haja seus pontos a melhorar, o título consegue ter tudo que um bom fã pode querer: pistas divertidas, personagens diversos e tudo isso de graça. Seus pontos positivos justificam os mais de 20 milhões de downloads nas primeiras 24h, um recorde para a Nintendo.

Entre seus diversos trancos e barrancos, a Nintendo sabe como fazer para cativar seus fãs leais e conseguir se manter firme e forte na disputa das empresas de games. Mario Kart Tour é um sinal de que a japonesa pode ter aprendido com os próprios erros e agora tem um longo caminho aberto para crescer ainda mais.

Mario Kart Tour

Nintendo (2019)



8.9


Gráficos: 8.5
Jogabilidade: 8.5
Diversão: 9
Som: 9.5

Revisado por:

João Pinheiro

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