Análise: Rambo - Até o fim - BetaQuest

Análise: Rambo - Até o fim

Foto: Reprodução

John Rambo é o clássico personagem durão que marcou as telas do cinema no século passado. Suas cenas de ação e violência ajudaram a conquistar um público que vivia em um contexto marcado pelo fim da Guerra do Vietnã. Hoje, Hollywood ressuscita mais uma vez o personagem em busca de um novo fim.

As produções, inspiradas no livro de David Morrell, deram espaço a uma discussão muito importante. O que fazer com os soldados após o fim da guerra? Criado para ser uma máquina de matar, o personagem viveu ao longo das décadas vendo o pior do mundo. Toda essa experiência e ressentimento acumulado é o que vemos no último filme da franquia "Rambo".

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Trama

Morando no rancho de sua família, Rambo continua assombrado pelas tragédias que presenciou, mas tenta aproveitar os dias de hoje ao lado de sua amiga Maria e a neta dela, Gabrielle. A menina, por sua vez, tenta encontrar repostas relacionadas ao seu pai que a abandonou quando ainda era criança.

Indo contra a vontade de sua avó e de Rambo, Gabrielle cruza a fronteira do México em busca do pai. No entanto, ela é feita de refém por um quartel local e cabe a Rambo resgatá-la. Para isso, ele tem que revisitar mais uma vez um mundo sombrio e cheio de sangue.

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Violência 

Repleta de filmes de super-heróis e poucas inovações, Hollywood vêm apostando na nostalgia de personagens clássicos do século passado para emplacar novos blockbusters. Foi assim com "O Exterminador do Futuro: Genesis (2015)"," Jurassic World" (2015), "Star Wars: O Despertar da Força" (2015).

E entre os nomes mais cotados está o de Sylvester Stallone. Um dos astros mais populares do século passado. Recentemente, ele tem revisitado seus grandes papéis. Foi assim em "Rocky", nos filmes da franquia "Creed" e, agora, reinterpretando o "herói de guerra", Rambo

Muito da crítica negativa com relação a Até o Fim tem sido feita com base na grande quantidade de cenas de violência explícita que o longa apresenta. O que poucos tem levado em consideração é o fato de que a franquia sempre abordou essa violência.

Aliás, a violência de "Rambo" sempre foi um dos fatores que fidelizou o público dessa série de filmes. Como dito anteriormente, o personagem é uma máquina programada para matar. Portanto, em grande parte tudo que se espera de um novo filme da franquia é um novo vilão/alvo em que Rambo possa descontar toda sua fúria e seu descontentamento.

Então, o público que vai ao cinema já deve estar ciente daquilo que vai encontrar. Muita ação, briga e sangue, com uma trama simples para justificar tudo isso. Simples demais, aliás. Com uma visão muito maniqueísta, o filme realmente parece pertencer ao século passado.

A obra foge das clássicas ambientações de guerrilha e se passa na selva urbana e no interior dos Estados Unidos, assim como na primeira produção da franquia. Os inimigos também mudam, os policiais e os vietnamitas são substituídos pelos perigosos cartéis.

O drama, por sua vez, ganha destaque. Após anos tentando encontrar um pouco de paz, o protagonista vê na figura de Gabrielle a inocência que sempre buscou no mundo. É quase uma relação paterna que Rambo desenvolve com a menina e que serve como base para toda a trama.

É o protagonista que tenta convencer a jovem a não ir atrás do pai, porque sabe que o mundo não é o lugar que ela idealizou. No entanto, como qualquer jovem rebelde, ela não escuta os conselhos do "tio" e vai correndo para o México. Ponto negativo para o herói que não consegue antecipar a óbvia intenção da menina desobedece-lo.


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Campo de Batalha

É aqui que o soldado adormecido renasce. Logo no começo do filme, vemos Rambo lidando com a ideia de que ele não pode salvar todo mundo. O personagem está constantemente tentando compensar suas falhas do passado e todas perdas que teve em tempos de guerra.

A ideia de perder uma das únicas pessoas com as quais realmente se importou faz com que Rambo comece uma busca implacável atrás dos sequestradores de Gabrielle. Porém, vemos que, apesar de ainda estar em forma, o soldado não é invencível.

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É preciso recorrer às velhas táticas de guerrilha, um clássico dos filmes predecessores, para derrotar seus inimigos. É aqui que Rambo realmente entra em ação, correndo, explodindo, atirando. Atiçado por seus inimigos, ele mostra as piores formas possíveis para se morrer. Tudo isso enrolado em uma uma série de frases clichês para os fãs de filmes de ação dos anos 70/80 vão gostar.

Resumindo, o filme cumpre aquilo que promete, reviver um dos clássicos personagens de ação das telonas para uma última batalha sangrenta. O público que for ao cinema esperando qualquer coisa diferente de sangue e violência ou, mesmo, uma trama mais densa, vai se decepcionar.

Rambo - Até o Fim

Adrian Grunberg (2019)



8.5


Enredo: 8.0
Visual: 8.5
Som: 8.5
Coerência: 9.0

Revisado por:

Pedro Fonseca

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